Os “Maços de População de São Paulo” formam uma extensa série documental de caráter censitário produzida entre 1765 e 1850, abrangendo a totalidade da população da Capitania e depois Província de São Paulo. A confecção dessas listas de caráter nominativo foi inicialmente proposta na complexa conjuntura de conflito com os castelhanos em torno da Bacia do Prata. Visava-se, então, coletar informações sobre a disponibilidade de homens aptos ao serviço militar.
Através da Ordem Régia de 21 de outubro de 1797, D. Maria I introduziu importantes e modernizadoras técnicas de recenseamento. Norteava essas novas orientações uma política mercantilista mais dinâmica e preocupada em racionalizar a máquina administrativa colonial e em incrementar a população, a agricultura e o comércio do Império português. As mudanças sugeridas atingiram o processo de levantamento nominativo das populações, que foi enriquecido com novos quesitos, mas fundamentalmente estabeleceram novas sistemáticas na elaboração e na tabulação dos dados censitários extraídos das listas de habitantes. Além do mais, elaboraram-se modelos de tabelas econômicas contendo dados sobre consumo, importação, preços e movimento de navios, que deveriam complementar os dados demográficos.
Os “Maços de População” são estruturados como listas nominativas anuais, que relacionam informações detalhadas sobre cada indivíduo, livre ou escravo, por domicílio: nome, idade, grau de parentesco ou de relação com o chefe do domicílio, estado conjugal, cor, naturalidade e ocupação, além dos dados sobre a atividade econômica do domicílio. Os domicílios de cada vila eram reunidos por Companhia de Ordenança, em maior ou menor número, dependendo das dimensões da população. Ao final, tabelas (“mapas”) resumiam as informações demográficas e econômicas por vila, permitindo a tabulação final dos dados referentes a todo o território paulista. |
Esta é uma documentação de caráter único, por ser um dos mais completos e bem preservados conjuntos censitários, para este período, preservados no mundo. Sua importância reside não somente em sua continuidade temporal, mas também em sua abrangência geográfica, notável dada a precariedade das condições para sua elaboração. Desta forma, também estão compreendidas nessas listas as populações dos atuais estados do Paraná e parte de Santa Catarina, à época integrantes do território de São Paulo.
A série “Maços de População” pertence ao fundo Secretaria de Governo por acumulação e é composta por arrolamentos da população produzidos pelas Companhias de Ordenanças (1765-1831) e pelo Juízo Municipal distrital (1831-1850). Ao todo são 276 caixas arquivo, cerca de 38,64 metros lineares de documentação, organizada alfabeticamente e cronologicamente por vilas. Constitui-se em um dos conjuntos documentais mais intensamente consultado pelos pesquisadores, justificando-se, assim, sua digitalização, como forma de garantir sua melhor preservação e difusão.
A consulta on-line é resultado da parceria firmada entre o Arquivo do Estado de São Paulo e a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (IMESP), que possibilitou a digitalização de grande parte desse conjunto documental.
A equipe do Apesp segue com a digitalização visando à publicação integral desse conjunto documental.

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