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No breve intervalo democrático de 1945 a 64, um jornal sindical chama seus leitores à luta.
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Ultima Hora marca época na imprensa brasileira

O jornal diário Ultima Hora foi fundado em junho de 1951 e circulou até 1971. Foi um marco, e representou uma inovação na história da imprensa brasileira: um veículo ágil, movimentado, que tinha várias edições por dia. Criado e dirigido pelo jornalista Samuel Wainer, chegou a ser publicado em sete cidades. Fez jornalismo popular de qualidade, articulando a discussão política e temas como futebol, cotidiano das cidades, movimento sindical, criminalidade, rádio e cinema.

Na origem do jornal, além de Wainer, está a figura do presidente Getúlio Vargas (1882-1954), que chegou ao poder na Revolução de 1930, e, depois de instituir o Estado Novo em 1937, governou o país como ditador até 45. A idéia inicial do Ultima Hora foi de Vargas, que conheceu Wainer quando este foi fazer uma entrevista com o então ex-presidente, em 1949. Vargas estava “exilado” na sua fazenda em São Borja desde que fora deposto, mas já planejava seu retorno. Em 50, voltou ao poder, eleito democraticamente. A UH defendeu o governo durante todo o seu mandato (1951-54). Por conta disso, enfrentou uma série de campanhas que ameaçavam a sua própria existência.

Em 1954, o governo Vargas, atacado violentamente por seus adversários, entrou em sua crise final depois do atentado contra o arqui-inimigo da Ultima Hora, o jornalista Carlos Lacerda. O atentado, que feriu Lacerda e matou o major da Aeronáutica Rubens Florentino Vaz, foi atribuído a Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal do presidente. A oposição pedia a renúncia do presidente. No dia 23 de agosto, Getúlio pediu a Wainer que publicasse em Ultima Hora a manchete "Só morto sairei do Catete". Esta manchete estava pronta quando, na madrugada do dia 24, o presidente se suicidou. A tiragem da UH deste dia foi de 700 mil exemplares.

Durante o governo de João Goulart, Ultima Hora permaneceu fiel à sua tradição trabalhista, apoiando o presidente até as vésperas do movimento militar que o depôs, em 1º de abril de 1964. Depois do golpe, a Ultima Hora foi apedrejada e Samuel Wainer teve seus direitos políticos cassados. Mas o jornal prosseguiu na sua trajetória popular e nacionalista até 1971, quando o título foi vendido por Wainer. A antiga redação foi desmantelada e o jornal passou por vários proprietários até 91, quando encerrou definitivamente suas atividades.

Fontes:
– Vários autores, Dicionário Histórico–Biográfico Brasileiro, http://www.cpdoc.fgv.br, em 04/09/2009.
Biografias, UOL Educação, http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u631.jhtm, consultada em 04/09/2009.

Ultima Hora
Nº 4.318 – 2/4/1964

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Nº 963 – 5/8/1954

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Nº 979 – 24/8/1954

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Nº 2.432 – 9/6/1958

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Nº 2.251 – 30/6/1958

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Nº 337 – 22/4/1960

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Nº 3.422 – 21/8/1961

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Nº 3.426 – 25/8/1961

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Nº 2.311 – 12/12/1968

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Nº 5.649 – 14/12/1968

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Nº – 21/7/1969