DIFUSÃO

DISCURSO DE JÚLIO PRESTES NO PRIMEIRO CENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA

Identificação do documento original: PRESTES, JÚLIO. No rancho de Paranapiacaba. Discurso proferido pelo Dr. Julio Prestes, em 7 de setembro de 1922, na inauguração dos monumentos mandados construir, no Caminho do Mar, pelo governo do estado de S. Paulo, sob a presidencia do Exmo. Sr. Dr. Washington Luis Pereira de Souza, commemorando a passagem do primeiro centenario da Independencia do Brasil. (extraída do original)

Fundo: Fundo Júlio Prestes.

Data-limite de produção do documento: Discurso publicado em 1922.

Data-limite do conjunto documental bibliográfico: 1726 (publicação mais antiga)- 1957 (publicação mais recente).

Código de referência do documento original: JP 341.132504 P939n (№ de tombo: 484).

Tipo documental: Discurso Comemorativo.

Produtor: Júlio Prestes de Albuquerque.

Dimensão e Suporte: 20 x 26,5 cm. Brochura (original). O livro foi submetido a restauro e encadernação pelo Setor de Encadernação e Restauro da Divisão de Arquivo do Estado, em 1983.

História arquivística: Os documentos acumulados por Júlio Prestes de Albuquerque foram doados ao Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP) no início da década de 1980, e transferidos à instituição em duas partes: a primeira foi entregue por Gil Prestes Bernardes no final de 1981, e a segunda, no início de 1990. O fundo Júlio Prestes é composto por variados tipos documentais – textual, iconográfico, bibliográfico – além de objetos pessoais, como medalhas, cadernos de estudos, entre outros. Essa variedade de documentos e objetos mostra as diferentes faces desse estadista: sua atividade política, principalmente nas décadas de 1920 e 1930, sua relação com familiares e amigos e sua formação como advogado e político. De acordo com o plano de classificação do Fundo Júlio Prestes, elaborado pelo Centro de Acervo Permanente do APESP, a coleção de livros compõe o Grupo “Vida Íntima e Familiar” – Subgrupo “Biblioteca”. É composta principalmente por publicações na área do Direito: há obras sobre legislação constitucional, administrativa, criminal e civil, e uma pequena coleção de Leis e Decretos do Estado de São Paulo, que abrange o período de 1889 a 1915. Também há, em menor quantidade, livros das áreas de Economia, Ciência Política e História. Embora tivesse gosto para a literatura, existem poucos romances e livros de poesia em sua coleção. Outros destaques são as publicações oficiais (relatórios, mensagens de Presidentes de Estado, discursos, boletim do Instituto do Café); as revistas de diversos títulos, como Eu vi, Revista Americana, Revista de Direito, Revista da Faculdade de Direito de São Paulo; e obras raras, como a coleção Cours de droit français, de Duranton.

Condições gerais da coleção: A biblioteca do Fundo Júlio Prestes, no momento, encontra-se indisponível para consulta devido ao estado de conservação dos volumes – muitos estão deteriorados devido à forma como foram guardados pela família Prestes. De acordo com Célio Debes, no livro Júlio Prestes e a Primeira República (1982, p. 14), os documentos e livros foram colocados em um porão da Fazenda Paiol e emparedados, sofrendo os efeitos da umidade, do calor e dos insetos. Outro motivo que dificulta a consulta é a falta de descrição dos volumes que chegaram no início da década de 1990 e a necessidade de revisão da descrição bibliográfica que foi iniciada na década de 1980. Para a seleção de volumes que compõem a exposição física “Júlio Prestes – o último presidente da República Velha: o arquivo privado de um homem público”, que pode ser visitada no APESP de 5 de abril a 17 de junho de 2016, foram identificados 920 volumes entre livros, revistas, folhetos, legislações e publicações oficiais (Relatórios, Discursos, Anais da Câmara dos Deputados, etc.).

Descrição: No Rancho de Paranapiacaba é um discurso publicado logo após a sua pronunciação, pois nele percebem-se notas sobre a reação do público, como “(Grandes e prolongados applausos. O orador é vivamente felicitado por todos os presentes)” (p. 48). Também é possível perceber a verve literária de Prestes em alguns trechos, na construção de imagens poéticas, principalmente na descrição da paisagem, cuja forma lembra o estilo dos escritores da primeira fase do Romantismo, como José de Alencar e Gonçalves Dias: “[…] em tufos de velludo e de perfume nos fôfos tapetes de relva […]” ou “[…] eram estas mesmas as palmeiras com o seu cocar de esmeralda” (p. 19). Há também o enaltecimento dos vultos históricos que contribuíram para a formação e o desenvolvimento do estado paulista, como os jesuítas, os primeiros colonizadores portugueses, os tropeiros, os estadistas que impulsionaram as primeiras vias de comercialização e circulação de produtos no estado, culminando, em um movimento metonímico, na prosperidade do Brasil na figura do então Presidente do Estado de S. Paulo, Washington Luis: “Eil-a, ainda agora, pedestal do monumento de nossa raça, a mostrar ao Brasil a figura moral irreprehensivel do prototypo da nossa energia, da nossa justiça, do nosso direito, da nossa cultura, da nossa consciencia e das nossas aspirações na pessoa do grande presidente de Sã Paulo, que, ao dirigir os nossos destinos, vai norteando os destinos da Patria e da Republica, para gloria da civilização americana”. (p. 47-48).

Informação de contexto: Discurso proferido por Júlio Prestes em comemoração ao primeiro centenário da Independência do Brasil. Em 1922, Júlio Prestes era deputado estadual em São Paulo pela legenda do Partido Republicano Paulista (PRP), mesmo partido ao qual era ligado o seu pai, Fernando Prestes de Albuquerque. A escolha do orador oficial para a inauguração dos monumentos descritos no discurso foi marcada pela disputa entre Amadeu Amaral e Júlio Prestes, sendo o autor de “No Rancho de Paranapiacaba” o ganhador.