Editorial
A sina dos Arquivos

Resumo:

O leilão de um patrimônio cultural como o do Arquivo Público do Estado da Bahia, remanescente do século XVI, é tão grotesco quanto o fato que o gerou: posto como penhora de dívida pública! Como isso foi possível? Desde quando? Pode um processo com esse teor correr às escuras? Ou olhos se fecharam? Por que só no momento da execução o fato veio à tona? De quem podemos cobrar o silêncio? O arquivo do Arquivo da Bahia tem potencial revelador dos meandros (escuros e transparentes) de tal processo? (...) No atual contexto econômico, político e social de desmonte de políticas públicas que exacerba o sofrimento da esmagadora maioria da população brasileira e resultou no espantoso número de mortes em decorrência da Sars-Covid-2 (615 mil, até novembro), esse caso do APEB é apenas mais um sintoma. Porém, convenhamos, a via crucis dos Arquivos brasileiros vem de data imemorial.